Na antiga escola técnica da UFRGS, no ano de 2004, cursando o técnico em Transações Imobiliárias (TTI), me deparei com uma matéria: Contabilidade Básica. Eu já trabalhava no escritório de contabilidade do meu tio, mas na área fiscal, não tinha nenhuma pretensão de entender contabilidade, mesmo sendo ela fundamental também para esse setor.
A tal matéria não fazia sentido para mim. Como assim “um débito pode aumentar ou diminuir, e um crédito pode aumentar ou diminuir”? Eu não conseguia capturar a essência básica da contabilidade, atribuída inicialmente ao matemático italiano Luca Pacioli.
Num intervalo de um dos dias de aula, mencionei a um colega, no refeitório, essa minha dificuldade em entender a lógica. Ele, que não era contador, mas tinha uma compreensão simples do processo, me disse: “Carlos, pensa assim: há uma convenção de como débito e crédito funcionam no ativo e no passivo. No ativo, os débitos aumentam e os créditos diminuem; no passivo, os créditos aumentam e os débitos diminuem. Nas contas de resultado, créditos e débitos seguem a lógica que já conhecemos.”
Naquele momento, com uma explicação simples, nem tão técnica, ele esclareceu algo que não cabia na minha mente. Embora outras explicações, como a de Origem e Destino, acabem sendo mais tecnicamente corretas, foi aquela que, inicialmente, me ajudou.
Ali morria um corretor de imóveis e nascia um contador. Mesmo assim, terminei a escola técnica de Transações Imobiliárias e, meses depois, ingressaria na mesma instituição no Técnico em Contabilidade. Na sequência, viria o bacharelado e, depois, a pós-graduação em Contabilidade.
Mas esse texto não é, no fundo, sobre mim e sim sobre como uma explicação diferente, às vezes despretensiosa, pode abrir mentes e mudar caminhos.
É esse também o espírito que tentamos trazer para o dia a dia da JJ Chaves: pegar um tema técnico, uma reforma tributária, uma estrutura societária, um cálculo complexo, e encontrar a explicação simples que faz ele fazer sentido para quem não vive de contabilidade. Às vezes é um colega no refeitório que muda o seu caminho; outras vezes é um contador tentando fazer o mesmo por um cliente.
Carlos Alexandre Souza da Silva
Sócio Contador — Especializado em Contabilidade de Shopping Centers
